Estudo projeta expansão do mercado global de higiene bucal até 2031, impulsionado por inovação em probióticos, digitalização do varejo e maior demanda por soluções preventivas
O mercado global de produtos de higiene bucal projeta uma expansão significativa nos próximos anos, passando de US$ 34,36 bilhões em 2026 para US$ 44,91 bilhões até 2031, o que representa um crescimento acumulado de 30,70%, segundo dados da Mordor Intelligence.
O avanço é sustentado por mudanças estruturais no comportamento do consumidor, com maior foco em saúde preventiva, digitalização dos canais de venda e desenvolvimento de soluções baseadas na ciência do microbioma oral, fatores que vêm redefinindo a dinâmica competitiva da categoria.
Dentro desse cenário, enxaguantes bucais com probióticos e fórmulas sem álcool ganham ritmo de crescimento superior ao dos cremes dentais tradicionais. Paralelamente, o comércio eletrônico amplia sua participação, reduzindo o espaço de marcas secundárias nas gôndolas físicas, enquanto seguradoras e programas corporativos de bem-estar passam a subsidiar dispositivos de higiene oral inteligentes, ampliando os modelos de distribuição B2B2C.
O impacto das doenças bucais também sustenta a demanda global. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 3,5 bilhões de pessoas convivem com algum tipo de condição oral, o que mantém elevada a necessidade de produtos de uso contínuo e com eficácia clínica.
Nesse contexto, fabricantes intensificam o uso de ingredientes ativos e a combinação de benefícios funcionais, como clareamento e proteção do esmalte dentário, reforçando a tendência de premiumização da categoria.
No varejo, o comércio eletrônico segue em forte expansão, representando mais de 25% das vendas na América do Norte e Europa em 2025, enquanto mercados como a China ultrapassam 30% de participação digital. Modelos de assinatura e estratégias de venda direta ao consumidor (D2C) tornam-se cada vez mais relevantes, especialmente para marcas digitais que operam com maior flexibilidade de margem e distribuição.
A inovação também avança na frente dos probióticos, com a incorporação de cepas como Lactobacillus reuteri e Streptococcus salivarius em produtos voltados ao equilíbrio da microbiota oral. Patentes registradas por grandes players globais indicam a transição de abordagens antibacterianas tradicionais para soluções mais focadas em saúde preventiva e equilíbrio biológico.
Entre as categorias, os enxaguantes bucais devem liderar o crescimento em valor, com CAGR estimada de 6,24% até 2031, impulsionados por formulações sem álcool e enriquecidas com ativos funcionais. O segmento pode ultrapassar US$ 11 bilhões no período projetado.
Ainda que os cremes dentais mantenham maior participação em receita, representando 34,83% em 2025, observa-se uma migração gradual para produtos terapêuticos e tecnologias como escovas inteligentes, incluindo dispositivos com inteligência artificial e gamificação.
O varejo físico segue relevante, com hipermercados e supermercados concentrando 42,36% das vendas em 2025. No entanto, o crescimento mais acelerado até 2031 deverá vir do e-commerce, com farmácias mantendo papel estratégico na distribuição de produtos terapêuticos e grandes redes investindo em marcas próprias para retenção de consumidores.
O mercado também se torna mais orientado por dados, permitindo que marcas emergentes concorram diretamente com líderes globais em ambientes digitais altamente competitivos.
No recorte por público, adultos seguem predominantes, com 61,56% da demanda em 2025, enquanto o segmento infantil deve registrar crescimento mais acelerado, impulsionado por soluções gamificadas e produtos adaptados ao público jovem. Já o público idoso mantém demanda consistente por soluções voltadas à sensibilidade dentária e cuidados com próteses.
Entre os lançamentos recentes, destacam-se iniciativas como a Propr Brush, escova desenvolvida para limpeza mais suave; a goma de mascar inteligente da Toothpod, com foco em remineralização; a linha personalizada da Clove Oral Care na Índia; e a nova formulação premium da TheraBreath com fluoreto estanoso.
O conjunto de tendências reforça a transição do setor de higiene bucal para um modelo mais tecnológico, funcional e centrado em saúde preventiva, com forte integração entre ciência, digitalização e experiência do consumidor.